Cah: Essa madrugada curiosamente vem a minha indagação do que é ser gaúcha! Li no yahoo tal comentário: Que os gaúchos casam com gaúchas, porque querem as brancas pra enfeitar a sala e as negras pra aquecer a cama. ¬¬
Aí me despertou uma raiva! E ao mesmo tempo um processo de auto-conhecimento. Eis a conclusão de que cheguei:
Certa vez, uma amiga me disse: você é sul-rio-grandense e não gaúcha. Me senti um tanto quanto ofendida. Já viajei por vários estados do Brasil e sempre que reconheciam o berço diziam: 'Bah, tchê!' da melhor forma que o sotaque deles permitia. Eu apenas ria.
Nunca foi de meu círculo frequentar CTG's e também nunca participei da Semana Farroupilha e nem do Desfile de 7 de Setembro. Realmente não cultivei as tradições do povo dos pampas, mas sempre tive dentro de casa o churrasco, chimarrão e a música nativista.
Bem, a história sulista eu sempre soube. Isso, pelo menos, posso dizer! Assim como meus irmãos, que nas noites de inverno se juntavam em volta da lareira para ler a trilogia do Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo e até hoje usam de algumas falas das personagens para rir e relembrar. Também posso adicionar a lista que já usei vestido de prenda e bem bonito, por sinal.
Acho que uma frase que cabe bem é: Ser gaúcho não é ter um lenço vermelho ao redor do pescoço, nem usar vestidos como as prendas, é muito mais do que isso, ser gaúcho é ter no coração o orgulho de ser daqui.
O valor de lutas, de vitórias e derrotas que causam arrepios, lágrimas, suspiros e até mesmo um frio na barriga. Um hino que faz tremer as pernas, com uma melodia firme e forte. Carrego no peito a torcida por um time que é desta terra: Internacional.
Sotaque? Sotaque, sim senhor e por favor! Que maravilha falar cantado e dizer o 'bah', o 'tri', o 'tchê', o 'tu', o 'capaz' e saber que em qualquer lugar te reconhecem: É Gaúcha!
Eu sou gaúcho e me chega pra ser feliz no universo.
Jake: Sabe, li tantas vezes essa frase aí...que a cada vez que eu lia, me indignava mais. Como pode um ser vir falar assim? Provavelmente ele não é gaúcho, e se assim é, não sabe mesmo de sua própria cultura. Fico bufando cada vez que algum malandro me sai falando nóia de nossa cultura, custumes, pago. Nada muda minha forma de pensar, sou gaúcha e filha dessa terra. Desse pago que me viu crescer e que me ensinou a cuidar do que é nosso e de passar isso a diante. Não sou prenda de 20 de setembro ou para fazer cena, sei o quão esse pago sofreu com mortes e alegrias para hoje ser chamado de Rio Grande do Sul.
"Pois um homem de bombachaMerece todo o respeito"
E outra, esse guri aí está mais atrasado que eu. Independentemente qual seja a real designação de gaúho, sei que o sou. Está com pensamentos iguais aos dos americanos que acham que o Brasil é só mate a índio. Vamos acordar. Pouco me importa de que cultura ele é ou se cultua alguma coisa, sei que todo bom gaúcho leva o Rio Grande no peito e cham isso de pago, mas um pago que vai além de estado, é como se fose um país, terras que são independentes, que devem sim ser mostrada como forma de troféu para muitosque ainda querem pelear por algum ideal.
"Mostremos valor constância
Nesta ímpia injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra"
Nossa história vai muito além da guerra ou das chinocas de estâncias, são os carijos que fizeram da erva mate um símbolo de nossa acolhida, de nossa forma de amizade; foram os tecidos que trouxeram e fizeram de nosso colorido algo lindo estampado no vestido; os zainos que até hoje simbolizam o trabalho campeiro que faz do gaúcho um ser único nesse pago grande; e não há em outro estado em que o futebol seja tão vivo quanto nosso querido Quero-Quero. Colorados e Gremistas, mais de cem anos de história, e muitas e muitas peleias que ficam apenas ali, no gramado, e em uma roda de mate se transformam todos em irmãos desse pago.
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