A faculdade de Jornalismo acabou de acabar, só aguardamos pela formatura, que logo chega em 29 de janeiro de 2011. Conseguimos avançar pelas seleções do mestrado: projeto, entrevista e agora para a avaliação do currículo. Foi sofrido, uma experiência diferente, cheia de sentimentos confusos e misturados: alegria, nervosismo, medo, insegurança. Tudo parecia excitante e ao mesmo tempo não.
Para enfrentar tudo isso, alguns calmantes, amigos, família e até mesmo fé. Isso lembra-me uma figura em especial: Caio Fernando Abreu. Em especial, o texto em que descreve agosto com toda a sua agonia e com as dicas de como enfrentá-lo. Eu mesma já utilizei algumas, mas tive que estender por setembro, outubro e novembro. Agora entramos em dezembro e estou quase confiante de que não será necessário.
Mas, pra você que não conhece ou pra quem quer relembrar, aí vão alguns dos meus trechos favoritos:
"Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data (...).
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros angúrios, premonições.
Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos – ou precauções – úteis a todos.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu – sem o menor pudor, invente um. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter de mais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco."
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